Transição energética e climática: O papel das redes de energia
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Nas últimas décadas a União Europeia (UE) tem liderado o estabelecimento de metas ambiciosas de descarbonização e a implementação de políticas tendentes à sua concretização. Esta liderança foi materializada na promoção do Acordo de Paris de 2015 e na sua subsequente ratificação por todos os Estados-Membros (EM) da UE. A energia é responsável por cerca de 78 por cento das emissões globais de gases de efeito de estufa (GEE) na UE, e constitui a principal alavanca de ação.
Em 2018 e 2019, a Comissão Europeia (CE) publicou o Pacote de Energia Limpa para todos os cidadãos Europeus (CEP) que estabeleceu metas ao nível da UE para 2030 para a redução de emissões de GEE, para a penetração de fontes de energia renováveis, para a eficiência energética e para os níveis mínimos de interligação entre EM, assim como um sistema de “governança” para planear e monitorizar o respetivo cumprimento, onde se incluem os Planos Nacionais de Energia e Clima (PNEC).
No final de 2019, através do Pacto Ecológico Europeu (EGD), a CE propôs aumentar a meta de redução de emissões de GEE em 2030 para, pelo menos, 55% em relação a 1990, bem como reforçar o contributo das fontes de energia renováveis e da eficiência energética (Energy Efficiency First-Principle).
Neste contexto, as redes de energia reafirmam-se como um instrumento fundamental para o cumprimento desses objetivos, uma vez que por um lado, a) a eletrificação reduz as emissões de GEE, pois permite um mais fácil aproveitamento de fontes neutras em carbono e a utilização de tecnologias mais eficientes; e por outro, b) a criação de novos portadores de energia a partir de eletricidade de origem renovável, como por exemplo o hidrogénio verde e outros gases renováveis (power-to-x).
A REN – Redes Energéticas Nacionais, opera em Portugal as infraestruturas de transporte de gás e eletricidade, e realiza a gestão global do Sistema Elétrico Nacional (SEN) e do Sistema Nacional de Gás (SNG), e detém a concessão de distribuição de gás natural na região litoral norte de Portugal. (...)
Bruno Marçalo Nunes, Head of Studies and European Affairs, REN
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