Relatório alerta para a necessidade de acelerar a transição energética até 2030
- 29 setembro 2026, terça-feira
- Energia

FOTO DISTELAPPARATH/ PIXABAY
João Guilherme Oliveira
A Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA), a Presidência da COP31 (Turquia) e a Aliança Global de Energias Renováveis (GRA) divulgaram, a 21 de setembro de 2026, um relatório de avaliação sobre o progresso das metas energéticas globais. O estudo indica que a capacidade instalada de energia renovável no mundo atingiu 5,15 terawatts (TW) no final de 2025, mas conclui que, para cumprir a meta de triplicar essa capacidade para 11,2 TW até 2030, a taxa de expansão anual terá de aumentar dos 693 gigawatts (GW) registados em 2025 para uma média de 1 200 GW entre 2026 e 2030.
O documento, apresentado durante a Semana do Clima de Nova Iorque, avalia o cumprimento dos compromissos estabelecidos no Consenso dos Emirados Árabes Unidos na COP28. O levantamento revela ainda que a intensidade energética global registou uma melhoria de cerca de 2 % em 2025, valor que se situa abaixo da meta de 4 % anuais necessária para duplicar a eficiência energética até ao final da década.
Medidas e investimentos prioritários
Para responder ao ritmo de crescimento da procura de eletricidade e superar os estrangulamentos na infraestrutura, o relatório aponta quatro eixos centrais de atuação:
- Expansão das redes elétricas: Investimento anual próximo de 1 bilião de dólares entre 2026 e 2030, o que representa mais do dobro do montante afeto em 2025.
- Armazenamento e flexibilidade: Aumento da capacidade de baterias e de sistemas de armazenamento para gerir a estabilidade do fornecimento.
- Fontes contínuas: Integração combinada de energia solar, eólica e armazenamento para assegurar o fornecimento contínuo.
- Digitalização e inteligência artificial: Aplicação de tecnologias digitais e de inteligência artificial para alinhar a procura crescente com a oferta de eletricidade renovável.
Projeções para o setor energético
Com base nas análises do documento, as fontes renováveis variáveis, como a eólica e a solar, deverão ultrapassar a capacidade total dos combustíveis fósseis até 2030, passando a representar cerca de 62 % da potência instalada global, face aos 35 % registados em 2025.
No segmento do armazenamento em baterias, o estudo regista uma redução de custos de 30 % entre 2024 e 2025, e de 95 % desde 2010. Em 2025, perto de 25 % da capacidade solar em escala comercial colocada em operação incluiu sistemas de armazenamento no mesmo local.
Proposta de meta para 2035
Em paralelo com o acompanhamento dos objetivos para 2030, a Presidência da COP31 propôs a inclusão de uma nova meta global nas negociações do encontro previsto para Antália, na Turquia: fixar em 35 % a quota da eletricidade no consumo final de energia até 2035, com incidência nos setores dos edifícios, dos transportes e da indústria.
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