Estudo: Portugal cada vez mais ameaçado pela falta de água

  • 20 outubro 2022, quinta-feira
  • Água

Portugal está cada vez mais ameaçado pela falta de água e pela dependência de energia de países politicamente instáveis, avisa a edição deste ano do Relatório de Ameaças Ecológicas.

Publicado pelo Instituto de Economia e Paz, o estudo refere que, embora a África subsariana seja a região mais exposta à escassez de água, países europeus como Albânia, Estónia, Grécia, Itália, Países Baixos e Portugal estão em risco de “sentir aumentos substanciais de pressão hídrica até 2040”.

“A insegurança alimentar e a pressão hídrica estão interligados, uma vez que sem uma captação de água adequada é impossível fornecer alimentos suficientes”, vincou.

Segundo o relatório, mais de 1 400 milhões de pessoas em 83 países sofrem de pressão hídrica extrema, incluindo 51 países da África-subsariana como Angola e Moçambique, mas também o Haiti, Iraque, Sudão, Iémen e Venezuela.

Por outro lado, a invasão na Ucrânia pela Rússia levou países ocidentais a intensificarem o abastecimento de combustíveis fósseis junto de países como a Argélia, Marrocos, Líbia ou Nigéria, “mas isso comporta riscos”, avisam os autores do relatório.

“A turbulência política nos países exportadores de energia com baixo índice de paz representa uma ameaça a curto e médio prazo para as nações desenvolvidas que dependem destas importações”, explicam.

Japão, Coreia do Sul, Itália, Portugal, Espanha e Alemanha são alguns dos países mais vulneráveis, refere.

O Relatório de Ameaças Ecológicas, produzido pelo Instituto de Economia e Paz (IEP), sediado na Austrália, analisou quais os países com maior risco de conflito, agitação civil e deslocamento de pessoas causado pela degradação ambiental e eventos relacionados com o clima.

Os investigadores examinaram 228 países e territórios para avaliar a capacidade de gerir estes desafios até 2050 e concluiu que 27 Estados, 23 dos quais em África e no Médio Oriente, estão num “ponto crítico”.

Globalmente, o estudo revela que pelo menos 41 países enfrentam atualmente uma “grave insegurança alimentar”, que se prevê que se deteriore devido à “crescente degradação ecológica, inflação e guerra entre a Rússia e a Ucrânia”.

No geral, o relatório calculou que o número de pessoas subnutridas aumentou 35 por cento em 2021 em todo o mundo para mais de 750 milhões e espera-se que continue a aumentar devido ao impacto do aquecimento global.

O fundador do IEP, Steve Killelea, urgiu os governos e agências internacionais a “investirem na construção de resiliência a longo prazo para evitar a futura destruição ecológica, migração forçada e conflitos”.

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