A importância da disponibilidade de combustíveis de baixo carbono para a descarbonização do setor marítimo
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- 06 outubro 2026, terça-feira
- Energia

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Pedro Amaral Frazão, Assessor do Presidente do Grupo Sousa
Descarbonização marítima: ambição regulatória e realidade industrial
A descarbonização do transporte marítimo constitui um dos maiores desafios da transição energética global. Responsável por cerca de 90 % do comércio mundial em volume, o shipping desempenha um papel essencial na economia internacional, assegurando o abastecimento de bens alimentares, energia, matérias-primas e produtos manufaturados, bem como o transporte de equipamentos e materiais indispensáveis à própria transição energética.
Embora represente aproximadamente 3 % das emissões globais de gases com efeito de estufa, o setor enfrenta uma crescente pressão regulatória, económica e tecnológica para reduzir significativamente a sua pegada carbónica nas próximas décadas. O desafio consiste em descarbonizar um setor indispensável ao comércio internacional sem comprometer a eficiência, a segurança e a competitividade das cadeias logísticas globais.
Neste contexto, a União Europeia e a Organização Marítima Internacional (IMO) têm vindo a estabelecer metas cada vez mais ambiciosas através de instrumentos como o EU ETS marítimo, o FuelEU Maritime e a Estratégia de Gases com Efeito de Estufa da IMO. Contudo, a concretização destes objetivos depende de um fator essencial: a disponibilidade de combustíveis de baixo carbono em escala industrial e a custos economicamente sustentáveis. A própria evolução do enquadramento internacional da IMO reflete um reconhecimento crescente de que a descarbonização não poderá assentar apenas em metas de redução de emissões, exigindo igualmente mecanismos que promovam a produção e disponibilização destes combustíveis à escala global.
Esta realidade evidencia uma constatação cada vez mais clara: a transição energética marítima está hoje menos condicionada pela definição de objetivos do que pela capacidade real de criar as condições necessárias para os alcançar. O principal desafio deixou de ser saber para onde queremos ir e passou a ser garantir que existem, em tempo útil, as tecnologias, os combustíveis, as infraestruturas e as cadeias de abastecimento capazes de tornar essa trajetória exequível. Sem esse alinhamento, corre-se o risco de criar uma crescente dissociação entre a ambição regulatória e a realidade operacional do setor. O sucesso da descarbonização do transporte marítimo dependerá, por isso, da capacidade de sincronizar os calendários regulatórios com o ritmo de maturação industrial das soluções necessárias à transição.
Importa, por isso, reconhecer que uma transição bem-sucedida exige não apenas objetivos ambiciosos, mas também condições efetivas para a sua concretização. A imposição de obrigações ambientais a um ritmo superior ao da disponibilidade de combustíveis, tecnologias e infraestruturas poderá traduzir-se em custos acrescidos, perda de competitividade e menor eficiência na redução das emissões. O desafio central passou, assim, da formulação de objetivos para a criação das condições que permitam alcançá-los de forma tecnicamente viável, economicamente sustentável e ambientalmente eficaz.
Porque necessita o transporte marítimo de combustíveis de baixo carbono?
Ao contrário de outros setores, o transporte marítimo depende de combustíveis com elevada densidade energética, grande autonomia e capacidade de armazenamento eficiente. Estas características limitam
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