Produção de energia solar atinge pico em agosto e consumo elétrico volta a subir
- 08 setembro 2026, terça-feira
- Energia

FOTO BRU-NO/ PIXABAY
João Guilherme Oliveira
A produção de energia fotovoltaica em Portugal atingiu um novo pico de potência em agosto de 2026, fixando-se em cerca de 3850 MW. Segundo dados divulgados pela Redes Energéticas Nacionais (REN), o desempenho reflete a expansão da capacidade instalada no país, ocorrendo apesar de as condições meteorológicas terem ficado abaixo das médias históricas para este período do ano.
No mês em análise, o índice de produtibilidade solar situou-se nos 0,82 e o eólico nos 0,87 (em que o valor um corresponde à média histórica). A produção hídrica registou afluências superiores à média, sem impacto expressivo no balanço global devido ao menor volume sazonal caraterístico do verão.
Balanço elétrico e perfil do consumo
O consumo de eletricidade manteve a trajetória ascendente registada ao longo do ano, com uma subida homóloga de 1,2 % em agosto, valor que ascende a 2,2 % após a correção dos efeitos de temperatura e dias úteis. No acumulado dos primeiros oito meses de 2026, a procura de energia elétrica cresceu 3,1 % (3,0 % com correção de fatores exógenos) face ao mesmo período do ano anterior.
Para responder ao consumo registado em agosto, as fontes renováveis cobriram 52 % das necessidades do sistema, enquanto a produção não renovável representou 12 %. Os restantes 36 % do abastecimento foram assegurados por via de importações, com a potência importada a atingir um valor máximo acima dos 5200 MW, na sequência do reforço da capacidade de interligação com Espanha.
Entre janeiro e agosto, o perfil de abastecimento elétrico distribuiu-se da seguinte forma:
- Fontes renováveis: 66 % (hidroelétrica 25 %, eólica 23 %, fotovoltaica 13 % e biomassa 5 %);
- Gás natural: 14 %;
- Saldo importador: 20 %.
Nos primeiros oito meses do ano, o índice de produtibilidade fixou-se em 1,20 na produção hídrica, 0,98 na eólica e 0,82 na fotovoltaica.
Quebra na procura de gás natural e origens do abastecimento
No setor do gás natural, o consumo global recuou 11,9 % durante o mês de agosto em comparação com o mês homólogo de 2025. A variação foi impulsionada pela redução de 28 % na utilização de gás para produção de eletricidade. O segmento convencional, focado na indústria e nos clientes domésticos, registou uma diminuição de 2,0 %.
O abastecimento de gás natural a Portugal realizou-se através do terminal de GNL de Sines, tendo a interligação com a rede espanhola registado um saldo exportador equivalente a cerca de um terço da procura interna no mês.
No acumulado até agosto, o consumo total de gás natural apresentou um crescimento de 2,2% face ao ano anterior, impulsionado pela subida de 7,4 % no segmento eletroprodutor. Quanto à origem do gás importado entre janeiro e agosto, os dados da REN indicam que 57 % teve proveniência da Nigéria, 31 % dos Estados Unidos, 6 % da Rússia e 6 % através da interligação com Espanha.
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