Cidades Europeias enfrentam aceleração do Aquecimento Global

FOTO JIBS-BREIZH/ PIXABAY
João Guilherme Oliveira
A Europa é o continente que regista o aquecimento mais rápido do planeta, com as temperaturas a subirem ao dobro da taxa média global desde a década de 1980. Este cenário incide gravemente sobre as áreas urbanas, onde residem mais de 75% dos cidadãos da UE, devido a fatores como a impermeabilização do solo e o efeito de "ilha de calor". Como resposta, a ação climática consolidou-se como a prioridade número um para 63% dos autarcas europeus.
Para avaliar a capacidade de resposta local, o centro de estudos CIDOB e a rede Eurocities publicaram a monografia “Urban Climate Resilience in Europe”. A investigação baseia-se num inquérito a 54 cidades em 17 países europeus e contou com a análise de especialistas em adaptação climática urbana.
Principais ameaças e capacidade local
O estudo identificou uma hierarquia clara de riscos climáticos urbanos:
- Ondas de calor e temperaturas extremas: Apontadas como o maior risco por 54% das cidades, representando a principal causa de mortalidade associada a eventos extremos em zonas urbanas.
- Inundações pluviais e fluviais: As enxurradas por precipitação intensa surgem em segundo lugar, seguidas do transbordo de rios.
- Secas e tempestades: A escassez de água e os ventos fortes partilham a quarta posição.
Em termos institucionais, 54% dos municípios possuem planos integrados de mitigação e adaptação climática. Embora disponham de uma média de 4,3 funcionários dedicados ao tema, cerca de 20% das cidades não possuem qualquer técnico afeto em exclusivo a esta área. Adicionalmente, 96% das cidades planeiam ou aplicam Soluções Baseadas na Natureza (NbS), com destaque para a arborização urbana (61%) e criação de parques (48%), embora enfrentem forte competição orçamental e restrições de espaço.
O gargalo financeiro e social
Apesar de 85% das cidades terem planos de adaptação aprovados ou em desenvolvimento, apenas 6% possuem uma estratégia dedicada de financiamento. A dependência continua concentrada nos orçamentos municipais (87%) e em fundos da UE (85%).
O relatório alerta ainda para a falta de proteção aos grupos vulneráveis:
- 70% das cidades não possuem planos térmicos dedicados para hospitais;
- 52% das cidades não contemplam planos para lares de idosos;
- 48% das cidades deixam as escolas fora dos mapeamentos de risco térmico.
Estes resultados visam subsidiar o futuro Quadro de Resiliência Climática da União Europeia (previsto para o final de 2026), sublinhando a urgência de simplificar o acesso a fundos e reforçar a capacidade técnica dos municípios.
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