UE assina acordo para triplicar capacidade de armazenamento de energia até 2028

FOTO MINkS/ PIXABAY

João Guilhermer Oliveira

A Comissão Europeia liderou na sexta-feira a assinatura do primeiro acordo tripartite sobre armazenamento de energia da história do bloco comunitário. O pacto mobilizou ministros da energia de vários Estados-membros, promotores e fabricantes de baterias, indústrias de grande consumo e instituições financeiras. O grande objetivo é acelerar o destacamento destas tecnologias a curto prazo, tornando a rede elétrica europeia mais flexível, segura e barata para os consumidores.

O armazenamento de energia é amplamente visto pelo setor como o “elo perdido” da transição ecológica. Embora a Europa tenha expandido significativamente a produção de energias renováveis (como eólica e solar), a intermitência destas fontes exige sistemas capazes de guardar a eletricidade quando há excesso de produção para libertar nos momentos de maior consumo.

Uma meta de 35 GW em dois anos

Como primeiro passo concreto deste acordo, 22 Estados-membros da UE assumiram compromissos ambiciosos para os próximos dois anos. Somadas, as metas nacionais preveem a instalação de 30 a 35 GW de nova capacidade de armazenamento no continente.

Trata-se de um avanço urgente: estimativas oficiais indicam que a União Europeia precisará de cerca de 200 GW de capacidade instalada até 2030 para equilibrar o seu sistema elétrico, um salto gigante face aos cerca de 55 GW registados no início deste ano.

Para retirar os projetos do papel e criar um ambiente de negócios favorável que atraia investidores, o acordo definiu responsabilidades claras para cada uma das partes:

- Promotores e Indústria: Os promotores de energias renováveis vão partilhar estimativas anuais detalhadas sobre novos projetos híbridos. Por sua vez, as indústrias comprometeram-se a instalar sistemas de armazenamento nas suas próprias fábricas e a fornecer dados claros sobre os seus perfis de consumo.

- Estados-membros: Os governos nacionais vão empenhar-se na eliminação de barreiras burocráticas e regulatórias. Os reguladores nacionais de energia serão incentivados a fixar tarifas de rede não discriminatórias que recompensem a flexibilidade. Além disso, haverá apoio financeiro público alinhado com o Quadro de Auxílios Estatais para a Indústria Limpa (CISAF).

- Banca e Setor Financeiro: Bancos nacionais e regionais vão trabalhar em conjunto com o Grupo Banco Europeu de Investimento (BEI) para partilhar conhecimento técnico, mitigando os riscos dos projetos e tornando-os mais atrativos em capital privado.

Bruxelas assume a coordenação

A Comissão Europeia assumirá a liderança e a monitorização anual do progresso deste acordo até 2028. Entre as medidas previstas, Bruxelas desenhará esquemas de financiamento específicos, explorará novos apoios através do Fundo de Inovação e atualizará as regras da rede em vigor.

Adicionalmente, no início de 2027, a Comissão pretende rever as regras de divulgação da Taxonomia Europeia para garantir que os investimentos públicos de transição ecológica se alinham perfeitamente com as metas ambientais do bloco.

Este modelo tripartite surge como uma resposta direta ao mandato do Conselho Europeu de março deste ano, que exigiu medidas imediatas para proteger o tecido empresarial europeu da volatilidade dos mercados internacionais de combustíveis fósseis.

Newsletter Indústria e Ambiente

Receba quinzenalmente, de forma gratuita, todas as novidades e eventos sobre Engenharia e Gestão do Ambiente.


Ao subscrever a newsletter noticiosa, está também a aceitar receber um máximo de 6 newsletters publicitárias por ano. Esta é a forma de financiarmos este serviço.