Tentar decifrar o futuro climático

FOTO MELISSA BRADLEY/ UNSPLASH
O volume de informação disponível sobre alterações climáticas nos meios de comunicação social, nos relatórios políticos e técnicos governamentais, nos de empresas e think tanks, de organizações não-governamentais do ambiente e nos artigos científicos, através do mundo, é verdadeiramente impressionante e continua a crescer. Este acervo gigante de informação inclui a questão das causas das alterações climáticas, os impactos dos eventos extremos, cuja intensidade e frequência estão a aumentar, a relação entre as alterações climáticas e as fontes de energia, bem como a relação com os comportamentos individuais e coletivos, por exemplo, os hábitos alimentares e de consumo de bens e serviços. Inclui ainda a multiplicidade diária de notícias sobre as negociações climáticas no âmbito das Nações Unidas, no G20, no G7, na UE e a nível internacional em outras regiões do mundo. Finalmente inclui as notícias sobre os ativistas do clima e suas ações, protagonizadas sobretudo por jovens, e sobre a litigância climática nos tribunais, que está a crescer em vários países, especialmente nos EUA e na Europa.
Apesar de toda esta informação, é difícil construir uma narrativa robusta sobre o que se está a passar e sobre qual será o clima que vamos ter no futuro. Há pontos de vista contraditórios. Persistem várias formas de ceticismo climático, algumas negando que o dióxido de carbono tenha influência significativa na explicação das alterações climáticas ou relativizando a sua importância para explicar o aumento da temperatura média da atmosfera à superfície. Outras afirmam que a atual mudança no clima global é natural, como de facto foram as do passado, por exemplo, o ótimo climático do Holocénico entre 8000 e 5000 anos atrás ou a Pequena Idade do Gelo entre cerca de 1300 e 1850. Estas correntes de opinião criticam fortemente os relatórios do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas e todos os “crentes” nas alterações climáticas antropogénicas que divulgam um alarmismo injustificado sobre o clima futuro, mas que supostamente beneficiam de algum modo por divulgarem esse alarmismo. Afirmam que o clima sempre foi variável e que as catástrofes anunciadas pelos modelos há décadas não estão a verificar-se. Defendem que a transição energética para as energias renováveis não se justifica ou é exagerada, eleva o preço da energia, desfeia a paisagem, prejudica o funcionamento das empresas e o crescimento económico, acabando por atingir negativamente o bem-estar das populações. Consideram que insistir que as alterações climáticas têm origem em algumas atividades humanas revela uma visão negativa da humanidade, uma injustificada e doentia culpabilização do homem, e uma deplorável arrogância moral.
Há uma polarização crescente sobre o tema das alterações climáticas nos meios de comunicação social de vários países, especialmente nos EUA e em outros países anglo-saxónicos. Nas democracias do Ocidente, especialmente nas que têm economias mais avançadas, a problemática do clima global acabou por ser capturada pelos partidos políticos. Em vários países da UE, alguns partidos, especialmente os de extrema-direita, negam a urgência da transição energética e protestam contra a disrupção da sociedade que, segundo dizem, acompanha necessariamente essa transição. Os negacionistas de topo das alterações climáticas, alguns deles são cientistas, e têm uma vasta obra publicada, enquanto outros são políticos influentes, escritores ou ativistas. Nos EUA destacam-se os nomes de James Inhofe, Marc Morano, Chris Horner, Fred Singer, Richard Lindzen, no Reino Unido Matt Ridley e Christopher Monckton, na Austrália Gerard Rennick, na Dinamarca Bjorn Lomborg, em França Jean-Claude Pont, Christian Gerondeau, Claude Allègre, Vincent Courtillot, entre muitos outros nestes e em outros países. (...)
Autor da coluna Alterações Climáticas / Presidente do CNADS
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