Qual o estado do clima global em 2025?

FOTO GRÉGORY ANDREY/ UNSPLASH

O princípio de cada ano é uma boa oportunidade para avaliar o que se passou no ano anterior e planear o futuro com entusiasmo e esperança tendo em conta essa avaliação. O meu exercício hoje vai ser uma tentativa de fazer algo análogo para o clima global. Claro que, se o clima global não estivesse a mudar, o exercício não se justificaria. Mas o facto é que algumas atividades humanas continuam a lançar grandes quantidades de gases com efeito de estufa (GEE) para a atmosfera, o que provoca a intensificação do efeito de estufa na atmosfera terrestre descoberto pelo físico e matemático francês Jean-Baptiste Joseph Fourier (1768-1830) em 1827, há quase dois séculos (Fourier, 1827). Todo o edifício científico que permite explicar e prever o futuro das alterações climáticas que estão a ser observadas baseia-se na teoria de Fourier sobre o efeito de estufa. É muito difícil ou talvez mesmo impossível encontrar outro ramo da ciência que tenha sido mais escrutinado, criticado e negado.

Procurarei fazer um resumo do que se passou em termos de clima global no ano de 2025, as tendências observadas nos últimos anos e o que implica para o futuro. A temperatura média global à superfície (TMGS) da Terra é um dos indicadores mais importantes da mudança climática. É calculada a partir das séries climáticas observadas em todas as estações meteorológicas do mundo em funcionamento e acreditadas pela Organização Meteorológica Mundial (WMO) das Nações Unidas. Este indicador é apresentado usualmente sob a forma de aumento da TMGS relativamente ao valor que esta tinha no período pré-industrial, ou seja, durante o início da revolução industrial do século XVIII. Para representar este último valor escolhe-se a média da TMGS no período de 1850 a 1900 porque nesse intervalo de tempo já existiam, sobretudo na Europa, algumas séries de dados de temperatura obtidas com termómetros e porque se avalia que a TMGS não variou muito desde meados do século XVIII até à segunda metade do século XIX. 

Portugal foi um dos primeiros países do mundo a iniciar observações sistemáticas da temperatura do ar à superfície. As primeiras séries de dados de temperatura em Portugal começaram a ser registadas ininterruptamente a partir de 1 de outubro de 1854 no Observatório do Infante D. Luís (Instituto D. Luís) em Lisboa, após a sua criação, por proposta de Guilherme Pegado, um ilustre macaense, lente de Física e Matemática na Escola Politécnica. O Conselho da Escola aprovou a sua proposta de construir um “mirante” para observações meteorológicas em 29 de junho de 1853. 

De acordo com a WMO, o aumento da TMGS nos anos de 2023 e 2024 foi 1.45 ± 0.12°C e 1.55 ± 0.13°C, respetivamente. Relativamente ao ano de 2025, a WMO realizou uma análise de seis conjuntos de dados independentes, tendo chegado a 1.44 ± 0.13 °C para a TMGS. Em conclusão, os três anos mais quentes cujas temperaturas foram observadas sistematicamente por meio de termómetros e outros sensores desde 1850 foram os anos de 2023, 2024 e 2025, sendo 2025 o mais quente, seguido de 2023 e depois 2024, com diferenças relativamente pequenas. (...)

Leia o artigo completo na Indústria e Ambiente nº 156, janeiro/ fevereiro de 2026
Filipe Duarte Santos

Autor da coluna Alterações Climáticas / Presidente do CNADS

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