Gestão de resíduos perigosos no setor da Saúde

© RADULE PERISIC

Os resíduos hospitalares são uma realidade que todos os cidadãos, doentes ou não, devem começar a perceber como uma realidade que precisa de mais e melhor atenção, quer das autoridades, quer da sociedade. O exagero da sua produção e formas de eliminação tem impacto negativo na saúde de todos os seres vivos, no ambiente, e na economia.

A Organização Mundial de Saúde publicou, em 2018, uma avaliação sobre os resíduos gerados pelas atividades de saúde. A maior parte destes resíduos, 85 %, são não perigosos. Os restantes 15 % são potencialmente perigosos, por poderem ser infeciosos, radioativos, patológicos, cortantes, químicos, citotóxicos.

Os maiores produtores destes resíduos são os hospitais e serviços de saúde, seguidos pelos laboratórios e centros de investigação, centros de idosos, e bancos de sangue.

A incorreta gestão destes resíduos constitui um importante problema ambiental e de saúde pública. A sua queima em ambiente aberto ou incineração pode resultar na emissão de dioxinas, furanos e material particulado. Tem outros efeitos adversos:

  • Lesões provocadas por material cortante e, ou perfurante;
  • Exposição a produtos tóxicos, nomeadamente antibióticos, medicamentos citotóxicos, e outras substâncias como o mercúrio ou dioxinas;
  • Queimaduras químicas no contexto de esterilização ou desinfeção;
  • Queimaduras por irradiação ou térmicas.

É necessário encarar a sua existência, e formas de os reduzir e encaminhar, o que constitui um enorme desafio técnico e financeiro para todas as instituições de saúde.

Para poder compreender as formas de otimizar este problema, é necessário conhecer a realidade; em Portugal é muito difícil, em virtude da ausência de dados fiáveis. O Plano Estratégico de Resíduos Hospitalares 2010-2016 (PERH) foi feito utilizando dados de 2006… Nele se aponta a produção de 23,34 kg/ cama/dia de resíduos, sendo 4,44 Kg potencialmente perigosos. Porém, o valor apresentado resulta da soma das médias dos consumos dos vários tipos de instituição, em vez de calcular a sua média ponderada. Utilizando a média ponderada, hospitais (públicos e privados) produziram 7,8 Kg por cama/dia, de resíduos, sendo 1,3 Kg potencialmente perigosos.

A previsão para 2016, recorrendo a dois cenários, antevia um aumento significativo da produção de resíduos, exceto os do tipo IV, que se mantinham estáveis.

Procurei obter informação recente sobre este tema, junto das entidades competentes. Na Eco@saude, os dados disponíveis são referentes apenas ao SNS e a taxa de adesão das instituições é insuficiente para permitir conclusões válidas. O relatório de 2024 assinala esta limitação, bem como a medíocre taxa de resposta das instituições do SNS. O SNS paga cerca de 60 % dos cuidados (...)

Autor João Queiroz e Melo
Cirurgião cardiotorácico aposentado
Vice-presidente do Conselho Português de Saúde e Ambiente

Leia o artigo completo na Indústria e Ambiente nº 155, novembro/dezembro 2025, dedicada ao tema "Resíduos Perigosos"

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