Cenários de soluções para a emergência climática

FOTO MARCELO NOVAIS/ UNSPLASH

O ano de 2022 poderá revelar-se como um ano de transição relativamente às alterações climáticas. Em primeiro lugar, foi um ano em que o número e a intensidade dos eventos meteorológicos extremos através do mundo e a severidade dos seus impactos se tornou evidente e insofismável. A narrativa de que as atuais alterações climáticas não existem ou que não têm origem em atividades humanas começa a ser insustentável, exceto em alguns círculos de opinião radical. A emergência climática tornou-se um facto incontornável, resta agora saber como irá ser resolvida. Não é um problema fácil porque as emissões antropogénicas de gases com efeito de estufa (GEE) têm aumentado sistematicamente desde que a Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas entrou em vigor no ano de 1994, exceto em períodos curtos de um a três anos marcados por crises económicas ou, mais recentemente pela crise pandémica.

Em 2022, as emissões globais totais de dióxido de carbono (CO2) foram 40,6 GtCO2 (109 toneladas de CO2), impulsionadas pelas emissões dos combustíveis fósseis e indústrias, que atingiram 36,6 GtCO2. Este valor é um máximo histórico e corresponde a um aumento de 1 % em relação a 2019.

Contudo, há boas notícias no que respeita às tendências. O incremento médio anual na década de 2001-2010 das emissões de CO2 provenientes dos combustíveis fósseis e da indústria foi 3 % e diminuiu para cerca de 0,5 % na última década. No que respeita ao consumo de combustíveis fósseis, a Agência Internacional de Energia prevê que a procura de carvão irá atingir o máximo nesta década, a de gás natural no final da década, e a de petróleo em meados da década de 2030.

Esta previsão significa que, próximo de 2040, a procura global de combustíveis fósseis entrará em declínio. Embora seja uma boa esperança, este cenário não permite cumprir o acordo de Paris de manter as temperaturas médias globais abaixo de 1,5 °C, ou mesmo 2 °C. Limitar o aquecimento a 1,5 °C exigiria a redução das atuais emissões globais anuais de CO2 para cerca de metade até 2030. Tal implica um corte de aproximadamente 20 GtCO2 (109 toneladas de CO2) em oito anos. As disrupções socioeconómicas desta queda à escala global seriam insuportáveis. A transição energética impõe custos de investimento elevados a curto prazo, enquanto os benefícios só serão visíveis a médio e longo prazo. Acresce que as energias fósseis ainda alimentam a maior parte das infraestruturas mundiais: habitações e outros edifícios, centrais térmicas, siderurgias, cimenteiras, indústrias extrativas, de transformação e de produção de bens e serviços, os meios de transporte - automóveis, comboios, navios, aviões - e muito mais. Cada um destes objetos físicos deve funcionar no futuro sem emissões de GEE, o que constitui uma transformação muito exigente. (...)

Leia o artigo completo na Indústria e Ambiente nº 138, janeiro/ fevereiro 2023

Filipe Duarte Santos

Autor da coluna Alterações Climáticas / Presidente do CNADS

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