Transportes: Portugal e Espanha desafiados a acelerar infraestruturas

D.R.
João Guilherme Oliveira
A consolidação de um sistema logístico integrado entre Portugal e Espanha exige a transição dos compromissos políticos para a concretização de infraestruturas operacionais. Esta foi a conclusão central da I Conferência Ibérica de Intermodalidade, evento decorrido a 15 de setembro no Terminal Multimodal de Granja do Ulmeiro, Alfarelos, no concelho de Soure.
O encontro, organizado pela Câmara Municipal de Soure, pela Associação dos Transitários de Portugal (APAT) e pela Asociación Española del Transporte (AET), reuniu autoridades portuárias, operadores de transporte rodoviário e ferroviário, gestores de terminais e representantes institucionais de ambos os países. Em debate esteve a integração das redes ferroviária, rodoviária e portuária num modelo logístico ibérico.
Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Soure, Rui Fernandes, apontou o desfasamento entre o planeamento e a execução das infraestruturas relativas ao corredor atlântico de mercadorias. O autarca destacou que a reconfiguração global das cadeias de abastecimento representa um fator de oportunidade para a região, condicionado à existência de acessibilidades e capacidade operacional nos terminais. Como exemplo de infraestrutura em atividade no território local, foi referenciado o Terminal Multimodal de Alfarelos, que efetua operações de transbordo e ligação ao Porto da Figueira da Foz.
Por sua vez, o presidente da APAT, Joaquim Pocinho, defendeu a necessidade de uma abordagem logística sem fronteiras nacionais, salientando a interdependência económica dos dois países peninsulares. A intervenção estruturou um conjunto de objetivos para o setor, designadamente:
- Definição de uma rede ibérica de terminais intermodais e portos secos;
- Reforço da capacidade e interoperabilidade da ferrovia de mercadorias;
- Otimização das ligações dos portos ao interior da península (hinterland);
- Harmonização de procedimentos administrativos e digitalização de processos;
- Execução dos investimentos previstos no plano nacional PORTOS 5+.
O presidente da AET, Juan Mourín, abordou os entraves técnicos e regulamentares que persistem no transporte transfronteiriço. Segundo a análise apresentada, as divergências operacionais e a falta de coordenação no planeamento dos investimentos mantêm-se como obstáculos à circulação fluida de mercadorias entre Portugal, Espanha e o restante continente europeu, sendo prioridade a conclusão das ligações ferroviárias internacionais.
O encerramento do evento contou com a intervenção do Secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, que reiterou a importância do funcionamento em rede à escala ibérica para a competitividade do setor. O governante confirmou a intenção do Executivo em desenvolver um plano nacional logístico articulado com os diversos intervenientes do mercado, associando o sucesso do plano PORTOS 5+ à consolidação da intermodalidade.
A conferência contou ainda com a presença de delegações dos portos de Sines, Leixões, Aveiro, Figueira da Foz, Vigo e Huelva, além de entidades como a Infraestruturas de Portugal e empresas do setor do transporte e da logística.
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