Sondagem revela que maioria dos europeus vê na independência energética uma garantia de segurança

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João Guilherme Oliveira
Uma sondagem da YouGov, encomendada pelas organizações E3G,Transport & Environment e Electrification Alliance, revela que os cidadãos europeus encaram a transição para energias limpas não apenas como uma meta climática, mas sobretudo com uma questão de segurança nacional. Numa média dos cinco países analisados, 64% dos inquiridos acreditam que reduzir a dependência da importação de petróleo e gás torna a Europa mais segura.
O estudo, realizado em maio de 2026 junto de mais de 5 mil adultos em Espanha, Alemanha, Itália, França e Polónia, surge num contexto geopolítico marcado por mais de 100 dias de crise no Estreito de Ormuz.
Segurança e cooperação acima das divisões políticas
Um dos dados mais destacados do relatório é o facto de o apoio à eletrificação e ao investimento em energias limpas ultrapassar as tradicionais divisões entre a esquerda e a direita política. Eleitores de partidos de centro-direita e de direita demonstraram valores de apoio alinhados ou até mesmo superiores às médias nacionais em diversos pontos:
Alemanha e Espanha registam o valor mais elevado no que toca à perceção da segurança, com 68% dos cidadãos a concordar que a independência energética protege o continente. Em Espanha, 63% apoiam o financiamento da União Europeia para a produção de veículos elétricos.
O apoio a incentivos financeiros estatais para a instalação de bombas de calor é maioritário em todos os países: Itália (71%), França (66%), Alemanha (61%), Espanha (58%) e Polónia (51%). Em França, por exemplo, os eleitores de Emmanuel Macron (69%) e Marine Le Pen (67%) estão em quase perfeito acordo nesta medida.
Cerca de 80% dos europeus inquiridos defendem que os países do continente devem trabalhar em conjunto, com a maioria a sublinhar que a cooperação se tornou ainda mais importante face à atual instabilidade geopolítica.
A Polónia, por sua vez, mostrou-se a exceção mais cética. Embora maioria dos polacos (58%) concorde que a redução da dependência de combustíveis fósseis importados aumenta a segurança, o país surge como o mais reticente no que toca à mobilidade elétrica. A Polónia foi o único território onde os opositores aos subsídios para a compra de veículos elétricos (44%) e instalação de postos de carregamentos domésticos (42%) superam os apoiantes.
Apelo aos decisores políticos
Com base nos resultados, o consórcio responsável pelo estudo apela aos governos europeus para que avancem convictamente com três medidas estruturais: acelerar a eletrificação, reduzir ativamente os combustíveis fósseis e incrementar a cooperação transfronteiriça na gestão de redes e infraestruturas energéticas.
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