Monocultura do eucalipto entre os maiores problemas ambientais na região de Aveiro

O crescimento das áreas de monoculturas de eucalipto, a erosão costeira e a poluição de recursos hídricos são alguns dos piores factos ambientais de 2022 na região de Aveiro, segundo um balanço da associação ambientalista Quercus.

Em comunicado, a Quercus/Aveiro referiu que não se veem grandes esforços para travar o crescimento das áreas de monoculturas de eucalipto, nem de outras espécies invasoras como as acácias ou a erva-da-pampas, adiantando que a região de Aveiro “continua a marcar posição pelos piores motivos neste ponto”.

“Continuam-se a passar licenças, não há vistorias aos terrenos plantados e, quando existem denúncias, não há lugar à reposição da legalidade”, realçou a associação ambientalista.

A mesma situação, segundo a Quercus, acontece em relação às invasoras aquáticas, como o jacinto-de-água ou a pinheirinha-de-água, que “continuam a ocupar as massas de água sem que haja ações eficazes no sentido de controlar o problema da eutrofização e perda de biodiversidade aquática”.

Outro dos grandes problemas ambientais do distrito de Aveiro, que terá um grande impacto num futuro próximo, segundo a Quercus, é a erosão costeira.

A associação disse que para além de nada de significativo ter sido feito para contrariar a erosão, em termos de ordenamento do território, ainda “são promovidas intervenções que causam deterioração das zonas dunares e costeiras”, que são as defesas naturais do território contra o avanço do mar.

“Continuamos a ver casos de abate de árvores e destruição de vegetação, como foi o caso do pinhal de Ovar, construções e movimentos de areia, com o recurso a maquinaria pesada, nas zonas dunares, como se tem verificado nas praias da Barra e Vagueira”, lê-se na mesma nota.

A Quercus alertou ainda para a existência de descargas sem tratamento para os rios e mar, adiantando que a “falta de vontade das entidades fiscalizadoras em fazer cumprir a legislação e a impunidade” leva a que as pessoas continuem a cometer os mesmos crimes ambientais.

Já para os melhores factos ambientais, a associação destacou a presença de projetos comunitários relacionados com a gestão de resíduos no orçamento participativo de Aveiro.

Para a Quercus, esta situação revela que alguns cidadãos começam a preocupar-se com estas temáticas e consideram que é necessário fazer algo para mudar o panorama atual da gestão de resíduos.

Em relação a 2023, a associação espera um maior envolvimento das populações relativamente ao ambiente e um maior investimento dos poderes locais na conservação da natureza e combate aos diferentes problemas ambientais.

“É fundamental que se abordem as questões ambientais como prioritárias, tanto pela melhoria dos ecossistemas da região, como também para evitar outras consequências associadas, como os riscos para a segurança e saúde das populações e prejuízos para a economia local”, concluiu a Quercus.

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