Novo site para ajudar empresas a prevenir greenwashing
- 08 abril 2026, quarta-feira
- Gestão

FOTO MACAU PHOTOGRAPHY/ UNSPLASH
Com a Diretiva da União Europeia contra o marketing ambiental falso, ou greenwashing, as empresas passam a estar sujeitas a elevadas coimas em caso de incumprimento. O embaixador do Pacto Climático Europeu Diogo Abrantes da Silva criou uma ferramenta digital que permite a gestores e empresários detetarem o que estão a fazer mal e saberem como corrigi-lo
Um embaixador do Pacto Climático Europeu, Diogo Abrantes da Silva, e o projeto #Pub para uma comunicação nas empresas mais transparente, criaram uma ferramenta digital gratuita para apoiar as pequenas e médias empresas (PME) em Portugal a cumprirem a nova diretiva da União Europeia que as obriga a ser transparentes quanto à sustentabilidade dos seus produtos e as impede de usar alegações ambientais não comprovadas. Com o site “diretivas.eu”, as empresas portuguesas podem verificar se as imagens ou páginas de produtos, a sua comunicação institucional ou os seus rótulos estão de acordo com as novas regras europeias. E clarifica também os pontos mais técnicos e intrincados do texto da diretiva.
A Comissão Europeia obriga os países da união a transporem a Diretiva 2024/825 para as leis nacional a partir de 27 de março e a lei deverá entrar em prática até 27 de setembro. Qualquer empresa com alegações ambientais não comprovadas poderá ver as suas peças publicitárias suspensas e ter de pagar coimas de dezenas ou centenas de milhares de euros, por prática desleal.
“A Diretiva 2024/825 é muito positiva, porque reforça a proteção dos consumidores contra práticas comerciais desleais, especialmente o “greenwashing”, e melhora a informação sobre sustentabilidade, durabilidade e reparabilidade dos produtos”, afirma Diogo Abrantes da Silva, gestor de marketing para ONG, ativista ambiental e embaixador do Pacto Climático Europeu, citado em comunicado. “A diretiva cria, no entanto, muitos riscos às empresas que desconhecem as suas exigências, expondo-as, a partir de setembro, à vigilância e às sanções da ASAE ou de outras organizações regulatórias”.
Após analisar 286 empresas ligadas à ecologia e sustentabilidade, o Pacto Climático Europeu apurou que 42% das empresas pode estar em incumprimento da nova lei. Na categoria de lojas de e-commerce qualificadas como sustentável, 100% poderá estar em incumprimento. A diretiva europeia impede que as empresas usem na sua comunicação, nos rótulos ou na publicidade alegações ambientais genéricas, vagas, sem provas ou impossíveis de verificar: as expressões “eco-friendly”, “verde”, “neutro em carbono”, “ecológico” ou “amigo da natureza” passarão a estar proibidas quando a Diretiva 2024/825 for transposta para a ordem jurídica portuguesa. A sua menção poderá passar a ser sancionada a partir de 27 de setembro.
Também as informações nos rótulos sobre sustentabilidade que não sejam baseadas em sistemas de certificação credíveis, tal como comparações ambientais enganosas entre produtos, estão proibidas. A diretiva proíbe igualmente estratégias que reduzam artificialmente a vida útil dos produtos, a omissão de informação relevante sobre a sua durabilidade e atualizações de software que degradem o desempenho. O site “diretivas.eu” oferece ferramentas para ajudar as empresas a avaliar se os termos usados nas suas comunicações, rótulos ou publicidade estão a incorrer nas práticas desleais previstas pela diretiva. O site está organizado por secções. Entre os separadores, os utilizadores podem encontrar uma explicação detalhada sobre os pontos da diretiva que obrigam a alterar procedimentos e várias clarificações.
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