IEA analisa tendências atuais do mercado da energia

  • 30 janeiro 2026, sexta-feira
  • Energia

FOTO DISTELlAPPARATH/ PIXABAY

Christina Genet

Num contexto em que a eletricidade se torna cada vez mais central no setor energético mundial, impulsionada pelo desenvolvimento das fontes renováveis, a energia nuclear conhece um regresso significativo.

O setor da energia enfrenta atualmente um nível de incerteza sem precedentes, numa altura em que as tensões geopolíticas continuam a intensificar-se. Neste contexto, Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional da Energia (IEA), identificou um conjunto de tendências que estão a marcar a evolução do setor a nível global.

Um desses aspetos diz respeito ao papel da eletricidade. Embora o gás e o petróleo continuem a representar fontes de energia relevantes nos próximos anos, a utilização da eletricidade está a crescer a um ritmo duas vezes superior ao da procura energética global, sublinha o responsável da IEA. Em setores da economia mundial como a inteligência artificial, os centros de dados e o transporte rodoviário, a eletricidade torna-se uma fonte incontornável.

Em paralelo do crescimento contínuo das energias renováveis, em especial da energia solar, em países como a Índia, observa-se também um regresso da energia nuclear, nota Fatih Birol. Depois de uma série de retrocessos na década de 2010, cerca de 70 GW de capacidade nuclear encontram-se atualmente em construção, um dos valores mais elevados dos últimos 30 anos.

Ao mesmo tempo, os riscos para a segurança energética estão a multiplicar-se. Um exemplo recente é o apagão registado na Península Ibérica em abril de 2025. A China destaca-se como um dos poucos países que detêm uma parte significativa dos minerais estratégicos necessários à produção de eletricidade. Neste contexto, observa-se um aumento da intervenção dos Estados nos mercados da energia, com o comercio de petróleo e gás cada vez mais sujeito a negociações, considerações políticas e as vezes sanções.

Por fim, segundo Fatih Birol, o mercado está a evoluir a favor dos compradores. Enquanto os preços do petróleo já estiveram sob pressão devido a um elevado nível de oferta, prevê-se uma evolução semelhante no mercado do gás natural. Em paralelo, o dirigente sublinha ainda que o centro de gravidade do mercado energético mundial está a deslocar-se para economias emergentes do Sudeste da Ásia, do Médio Oriente, da América Latina e de África, embora sem conseguir replicar as dinâmicas recentes da China.

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