Entrevista a José Gaspar

Entrevista por CÁTIA VILAÇA | Fotografia D.R.

O CoLAB ForestWISE® – Laboratório Colaborativo para a Gestão Integrada da Floresta e do Fogo assume como missão a gestão integrada da floresta e do fogo, com base em atividades de (co)investigação e desenvolvimento. Conversámos com o CTO José Gaspar acerca dos desafios desta abordagem e das formas de retirar rentabilidade da floresta.

Indústria e Ambiente (IA): Um dos desígnios do CoLab ForestWise é a gestão sustentável das áreas florestais. De que falamos quando falamos de gestão sustentável da floresta?

José Gaspar (JG): O papel principal do CoLab tem a ver com dois assuntos que tentámos juntar num único, que é pensar a gestão tentando tirar partido tanto da capacidade do território de produzir e de gerar bens e serviços, como da promoção da resiliência desse território em relação aos incêndios.

Abordamos, por um lado, a criação de valor, ou seja, aquilo que conseguimos fazer para aportar valor ao território – e esse valor pode ser de diversas tipologias, não quer dizer que seja unicamente económico. Por outro lado, esse valor deve ter uma gestão, numa perspetiva de diminuição de risco e de alguma segurança e resiliência. O nosso foco são os incêndios, mas o nosso trabalho não é exclusivamente esse.

Quando nos preocupamos com a resiliência do território, abordamos o tema numa vertente um pouco mais lata, e é isso que norteia quase tudo o que fazemos. À partida, se conseguirmos ter sucesso nesta abordagem, e vamos somando alguns sucessos (também alguns desalentos, de vez em quando), conseguimos, de alguma maneira, assegurar os princípios da gestão florestal sustentável, que é dar-lhe uma dimensão económica, uma dimensão ambiental e uma dimensão social.

Esta perspetiva está presente no que fazemos, na lógica de, com o valor que podemos criar nas suas diversas vertentes, gerarmos emprego e conseguirmos aproximar a economia daquela população e daquele território, conseguindo que essa economia se traduza em algum retorno e algum investimento naquele espaço.

Por outro lado, se temos um horizonte temporal muito longo, sabemos que no meio podemos ter fenómenos que destroem esse valor, e essa questão é absolutamente crítica. No nosso trabalho e na abordagem do CoLab, estas questões de gestão sustentável, de trazer valor para o território, de diminuir o risco, de conseguir, de alguma maneira, remunerar o proprietário e o gestor florestal e os territórios, estão presentes em todos os projetos e as atividades em que estamos envolvidos.

Isso não significa que em determinados períodos não tenhamos uma agenda muito mais orientada para determinada atividade e determinada preocupação, mas isso está absolutamente presente em todo o trabalho que fazemos. E o facto de o CoLab também ter uma equipa com uma formação e uma experiência muito diversificadas também é muito relevante.

IA: E nesse trabalho está também a questão da promoção da transferência de conhecimento entre empresas, academia e sociedade. Tem havido obstáculos a esta transferência de conhecimentos?

JG: Eu acho que estamos a consegui-lo de uma forma gradual. O CoLab é constituído e inicia a sua atividade em 2018. No início, nessa fase de agrupar e construir equipa, esse processo foi mais difícil. De 2021 para cá, tem melhorado substancialmente.

A nossa agenda transForm, na fileira da floresta em sentido lato, e a RN21, numa fileira mais ligada à resina, com uma dimensão muito grande e um número muito alargado de parceiros, criaram-nos um conjunto de oportunidades e relacionamentos relevantes.

Também o facto de termos na nossa estrutura societária um conjunto de empresas, universidades e organizações públicas ajudou a que este processo acontecesse. No início, quando os CoLab surgiram, houve algum receio de que fossem instituições competidoras com outras que já existiam, mas acho que os CoLab foram criando o seu espaço e afirmando-se como organizações capazes de fazer esta transferência, e numa perspetiva diferente do que existia em alguns casos, que era uma ligação muito pontual para a resolução de determinados problemas.

Aqui estamos a falar numa tentativa de uma abordagem mais estrutural, mais continuada, em que existe uma relação que se estabelece entre empresas, organizações e o CoLab. (...)

Leia o artigo completo na Indústria e Ambiente nº 156, janeiro/ fevereiro de 2026 dedicada ao tema "Floresta - caminhos e oportunidades"

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