Criado Fórum de Vinculação de Talento na Engenharia
- 27 janeiro 2026, terça-feira
- Gestão

D.R.
Cátia Vilaça
O Porto recebeu, a 23 de janeiro, o Sessão Pública de Apresentação do Fórum Vinculação de Talento na Engenharia, uma iniciativa que reuniu engenheiros e representantes dos setores institucional, académico, empresarial e associativo
O encontro foi também um espaço de reflexão que reuniu estudantes e responsáveis académicos e empresariais num debate sobre dificuldades de fixação de talento.
António Jarmela, presidente da Associação de Estudantes do Técnico e com formação em Engenharia Aeroespacial, pretende ficar em Portugal, mas alerta que 50 a 60 % dos seus colegas concorrem para o exterior. Tornar os cursos mais atrativos, baixando custos de frequência, seria, para o estudante, um caminho necessário. Também José Alferes, diretor da Nova FCT, realçou a necessidade de melhorar as condições, quer nas propinas, quer no alojamento.
Para o presidente da Infraestruturas de Portugal, Miguel Cruz, o cenário apresenta pontos positivos e negativos. Nos últimos três anos, a idade média dos quadros da empresa diminuiu em três anos, um sinal da capacidade de recrutamento. Ainda assim, não é suficiente para a carteira de projetos: continua a ser necessário recrutar mais engenheiros, não só em engenharia civil, até porque há necessidade de realizar projetos em áreas como a cibersegurança ou as telecomunicações. E a cibersegurança tem sido uma das áreas onde se verificam maiores dificuldades, o que Miguel Cruz atribui ao grau de novidade e maior tendência de rotação. Para o responsável, é necessário que as empresas estejam próximas da academia.
Para o responsável, há também pouca perceção sobre o que é o trabalho de engenharia, o que pode ser contrariado com iniciativas como as descritas por Francisco Bessa Sousa, presidente do grupo de Jovens Engenheiros da Ordem, como é o caso da academia de robótica, que proporciona aos alunos das escolas, em contexto de atividades extracurriculares, contacto com os preceitos da engenharia. Para Matilde Vieira, da associação de estudantes da FEUP, não há apenas desconhecimento, mas também preconceito sobre a engenharia, vista como área “difícil” em vez de desafiante.
Já o bastonário Fernando Almeida Santos, apelou a que não se incentive a emigração em fases críticas da formação, por exemplo, permitindo aos estudantes fazer Erasmus no último semestre.
A encerrar, o ministro Fernando Alexandre lembrou que a tecnologia é o principal driver de procura, pelo que cabe à oferta formativa corresponder e abandonar o que o governante classifica de rigidez. Foi, aliás, por isso que o seu ministério decidiu permitir um aumento em 5% das vagas dos cursos, deixando às universidades a gestão da distribuição desse aumento pela oferta formativa.
Fernando Alexandre lembrou que as instituições têm de definir “o que é estratégico” e de inovar em termos pedagógicos, sugerindo uma maior distribuição das componentes letivas e o contacto com realidades mais práticas a partir do primeiro ano. Voltou a defender o descongelamento das propinas, medida travada no Parlamento, ainda que equacione limites em certos casos (e sublinhando o papel da ação social na correção de assimetrias). Reconhecendo a engenharia como “fundamental” para o país, Fernando Alexandre deixou a convicção de que as escolas da área podem posicionar-se internacionalmente.
Outros artigos que lhe podem interessar