IETI apela ao reforço da competitividade industrial e energética ibérica
- 28 janeiro 2026, quarta-feira
- Energia

FOTO ANDREAS-TROLL/ PIXABAY
Portugal e Espanha podem estar na linha da frente da competitividade europeia, acredita a Iniciativa Ibérica para a Indústria e Transição Energética (IETI). A organização aproveitou o encontro em Davos para apelar à aceleração da implementação de infraestruturas críticas, como as redes elétricas
Com recursos naturais que se traduzem numa vantagem de cerca de 20% nos custos da energia renovável e uma base sólida em combustíveis renováveis, a IETI acredita que os dois países podem reindustrializar-se mais rapidamente, apoiando-se em infraestruturas robustas e fortes capacidades industriais.
No âmbito da Reunião Anual do Fórum Económico Mundial (WEF), em Davos, e pela segunda vez, a Iniciativa Ibérica para a Indústria e Transição Energética (IETI), um esforço intersectorial liderado pela McKinsey & Company e por representantes da indústria como a ACS, EDP, Galp, Iberdrola, Moeve, Naturgy, Repsol e Técnicas Reunidas, divulgou a sua perspetiva atualizada sobre o contributo da Península Ibérica para a competitividade europeia através da reindustrialização impulsionada pela transição energética. O Índice da IETI atualizado destaca os progressos alcançados no último ano e define cinco iniciativas prioritárias para o futuro.
A perspetiva e as propostas da IETI foram apresentadas numa sessão de trabalho multilateral com Enrico Letta (ex-Primeiro-Ministro de Itália e autor do Relatório Letta), Cristina Lobillo (Diretora de Política Energética da Comissão Europeia), bem como representantes de outras instituições, além de CEOs e Chairmen das empresas-membro da IETI – ACS, EDP, Galp, Iberdrola, Moeve, Naturgy e Repsol – e Sócios Seniores da McKinsey & Company.
Os participantes salientaram a posição frágil da indústria europeia em setores estratégicos, a menor produtividade do trabalho, a fragmentação regulatória e de infraestruturas e o atraso em inovação, num contexto geopolítico cada vez mais exigente. Destacaram igualmente o papel da transição energética como catalisador da reindustrialização e como alavanca para relançar a competitividade europeia, em particular em países como Portugal e Espanha, que reúnem condições ótimas para atrair investimento. A análise da McKinsey & Company indica que Portugal e Espanha, em conjunto, poderiam gerar até €1 bilião de euros em valor acrescentado e cerca de 1 milhão de empregos até 2030.
Em comunicado, a IETI salienta que a energia renovável a baixo custo, bem como a segurança do seu abastecimento, são centrais para o modelo de crescimento europeu nas próximas décadas. A organização argumenta que a transição energética pode impulsionar o desenvolvimento industrial, tanto em setores consolidados – como o automóvel, o cimento e o aço – como em setores emergentes, como baterias, moléculas renováveis e centros de dados. O Índice da IETI acompanha 21 indicadores que permitem compreender o progresso da transição energética e da reindustrialização em Portugal e Espanha. A direção geral é positiva e existem sinais encorajadores; ainda assim, é necessário acelerar o ritmo para superar lacunas estruturais da indústria e retomar a trajetória necessária para cumprir os objetivos.
Em Davos, os participantes da IETI apelaram a uma execução mais rápida. A organização identificou, no âmbito das discussões em Davos, cinco iniciativas prioritárias para desbloquear o potencial da Península Ibérica para liderar a transição energética e impulsionar a reindustrialização europeia:
- Reforçar a ambição e a coordenação em torno da competitividade, criando e escalando ecossistemas industriais em áreas estratégicas de crescimento, incluindo combustíveis/moléculas renováveis, baterias, defesa, capacitação tecnológica e IA, em linha com a estratégia europeia para a competitividade. Planos setoriais como o Plano Auto 2030 de Espanha e garantias públicas para assegurar a procura são alavancas cruciais.
- Focar a regulação na competitividade, simplificando e estabilizando enquadramentos orientados para resultados, através da remoção de barreiras ao investimento, de incentivos direcionados e de um enquadramento assente na neutralidade tecnológica, com vista à redução dos custos de contexto. Instrumentos como o 28.º regime europeu, a aceleração dos processos de licenciamento, novos mecanismos de financiamento nomeadamente os CfDs (contratos por diferença) e balcões únicos para investidores assumem um papel crítico.
- Acelerar a implementação de infraestruturas, reforçando o investimento em redes elétricas, armazenamento, transporte e logística. No início deste ano, mais de 70 empresas industriais em Espanha alertaram para o estado crítico da rede elétrica, onde a maioria dos pedidos de ligação é recusado. A revisão dos regimes de remuneração poderá acelerar o ritmo de adição de capacidade e de construção.
- Reforçar o investimento em inovação, aumentando o investimento em I&D em tecnologias e setores-chave, através de incentivos fiscais, centros de excelência e instrumentos de cofinanciamento para tecnologias industriais e de descarbonização first-of-a-kind.
- Desbloquear a produtividade do talento, através do desenvolvimento da força de trabalho, requalificação e up-skilling em larga escala, ferramentas de produtividade potenciadas por IA, bem como incentivos fiscais e vistos dedicados para atrair e reter talento global de topo.
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