Metais do grupo da platina contaminam organismos marinhos
- 27 março 2026, sexta-feira
- Água

D.R.
Um estudo da Universidade de Aveiro (UA) chama a atenção para os impactos ambientais dos metais do grupo da platina — platina (Pt), paládio (Pd) e ródio (Rh)
Trata-se de metais usados em catalisadores automóveis, processos industriais e aplicações médicas, sendo libertados de forma contínua para o ambiente.
Apesar da sua crescente presença, os efeitos biológicos destes metais, sobretudo quando ocorrem em mistura, permanecem pouco estudados. Para colmatar esta lacuna, investigadores dos Departamentos de Biologia e Química da UA, em colaboração com o CESAM e o LAQV-REQUIMTE, avaliaram os efeitos isolados e combinados de Pt, Pd e Rh no na espécie de mexilhão Mytilus galloprovincialis, uma espécie sentinela amplamente utilizada na monitorização ambiental.
Durante 28 dias, os mexilhões foram expostos a concentrações ambientalmente relevantes de cada metal individualmente, bem como a misturas binárias e ternárias. Foram analisados múltiplos biomarcadores associados ao metabolismo energético, às defesas antioxidantes, aos mecanismos de detoxificação e aos danos celulares, permitindo uma avaliação mecanística detalhada das respostas biológicas.
Os resultados do estudo assinado por Gabriela Praça, Marta Cunha, Mariana Rodrigues, Carla leite, Amadeu Soares, Eduarda Pereira e Rosa Freitas revelaram respostas distintas e dependentes do metal e da concentração, esclarece a Universidade de Aveiro em comunicado. A platina, sobretudo a baixas concentrações, estimulou o metabolismo energético e ativou mecanismos antioxidantes e de detoxificação. O paládio, em concentrações mais elevadas, comprometeu as reservas energéticas e a eficiência metabólica. Já o ródio destacou-se pela sua capacidade de induzir danos oxidativos significativos em lípidos e proteínas.
Quando os metais ocorreram em mistura, os efeitos tornaram-se mais complexos e não lineares. As combinações Pt+Pd e Pt+Rh foram dominadas por respostas sinérgicas, especialmente ao nível do metabolismo e da detoxificação celular. A mistura Pd+Rh apresentou maioritariamente efeitos aditivos. A exposição simultânea aos três metais (Pt+Pd+Rh) revelou um perfil distinto, com respostas maioritariamente aditivas e antagonismos específicos em biomarcadores antioxidantes e de oxidação proteica.
O comunicado frisa também que os resultados reforçam a necessidade de considerar misturas de contaminantes e exposições crónicas de baixo nível na avaliação de riscos ambientais, sublinhando a crescente preocupação com o impacto ecológico destes metais nos ecossistemas costeiros.
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