Florestas - caminhos e oportunidades

FOTO CLICKER HAPPY/ PEXELS
Dá-se a infeliz coincidência de, no momento em que estou a escrever este texto, estar o nosso país a ser assolado por um conjunto de tempestades e depressões, em contínuo, com um impacto brutal na floresta e na perda de milhões de árvores. E eu que tinha pedido aos meus “convidados” que escrevessem positivamente sobre a floresta!
A nossa floresta quer-se diversa – o mosaico referido pelo Nuno Oliveira -, respeitada nos seus ritmos (lentos, é verdade, e nada adequados aos dias de hoje) e reconhecida pela sua importância e pelo que tanto representa e nos dá. Dá-nos produtos, serviços e é essencial na proteção e conservação de habitats e recursos. É herança cultural, guarda estórias e memórias: das gentes que já lá não habitam porque foram para a “cidade” e das que continuam. Também daqueles que para lá vão atrás de um sonho.
O respeito pelas pessoas que habitam os espaços rurais é fundamental. O respeito pelas vontades e modos de vida que, muitas vezes, diferem daqueles que os urbanos constroem no seu imaginário. Leia-se sobre o projeto Hectares de Biosfera, apresentado José Carlos Pires.
É da comunhão entre o respeito pelo ritmo da natureza, a recuperação de conhecimentos ancestrais, o aproveitamento de materiais, a tecnologia e a eficiência que se consegue caminhar para uma paisagem resiliente. Os desafios da gestão do território em áreas florestais atravessadas por infraestruturas energéticas resultam em estratégias inovadoras, como as que nos são apresentadas pelo Pedro Marques e os coautores. E que passam por aliar conhecimento científico a desenvolvimento tecnológico e experiência operacional para minimizar os riscos das florestas, nomeadamente o dos incêndios. Antecipar pela monitorização e gerir a vegetação de modo otimizado e sustentável, aumentando a produtividade e reduzindo impactos ambientais, são fatores determinantes.
Também essencial é o aproveitamento dos produtos, o qual deve seguir modelos de economia circular e de bioeconomia, onde reutilização, manutenção, reciclagem e design inteligente coexistem, para se minimizar o impacto do défice de matéria-prima, tal como explica e exemplifica o Nuno Calado, tendo por base a madeira - a qual deve ter origem em florestas geridas.
A gestão e exploração das florestas requer mão-de-obra especializada, cada vez mais escassa. O José Luís Carvalho fala-nos da importância da tecnologia e da robotização nas atividades florestais em Portugal, que passa, entre outros aspetos, pela inovação social, considerada essencial para ultrapassar os problemas estruturais da propriedade rural fragmentada e para a promoção de modelos de gestão colaborativa.
E voltamos às pessoas! Sendo eu professora do ensino superior, não posso deixar de referir a preocupação pelo facto de não termos jovens interessados nas formações de engenharia e de ciência florestal. Pensar floresta, gerir floresta, trabalhar na floresta e para a floresta é aplicar conhecimento de áreas disciplinares distintas, o que é tremendamente desafiante. Assim, como são as novas realidades que ameaçam a floresta portuguesa e que obrigam a alterar, ao ritmo próprio da floresta, os modos de gestão das florestas e do território.
Espero que tenham leituras prazenteiras!
Professora Associada no Instituto Superior de Agronomia
Se quiser colocar alguma questão, envie-me um email para info@industriaeambiente.pt
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