Plantada primeira floresta Miyawaki no concelho de Cascais

  • 25 janeiro 2024, quinta-feira
  • Solos

Fotografia: União das Freguesias de Carcavelos e Parede

A primeira floresta Miyawaki no concelho de Cascais, método japonês que pretende contribuir para aumentar a biodiversidade e combater as alterações climáticas, foi plantada em Carcavelos, numa iniciativa da organização Forest Impact e da autarquia.

A organização informou, numa nota, que a primeira floresta Miyawaki no município de Cascais foi plantada ao lado do campus da Nova SBE (School of Business and Economics), em Carcavelos, segundo o método japonês pioneiro na plantação de árvores “para criar pequenas florestas, com o objetivo de desacelerar as mudanças climáticas, criar pontos críticos de biodiversidade e combater o crescente número de ondas de calor”.

Na plantação, por voluntários, foram usadas 600 plantas de 32 espécies – entre os quais a azinheira, sobreiro, carvalho, medronheiro, pereira brava e zambujeiro – em 200 metros quadrados de floresta.

“As florestas de Miyawaki são um tipo de floresta que ganhou destaque nos últimos anos, devido à sua capacidade de crescer e amadurecer rapidamente. Em comparação com as florestas artificiais tradicionais, que podem levar décadas para atingir a maturidade, as florestas de Miyawaki são conhecidas pela sua capacidade de atingir a maturidade num curto espaço de tempo”, destacou Charles Cabell VI, da Forest Impact, citado no comunicado.

A plantação é parcialmente financiada pelo Fundo AdaptCascais, criado pelo município do distrito de Lisboa para apoiar projetos locais de adaptação às alterações climáticas e valorizar a participação da sociedade civil na ação climática, que integra o Programa de Ação para a Adaptação às Alterações Climáticas aprovado pelo Governo.

“Estima-se que uma floresta de Miyawaki possa atingir a maturidade em apenas dez anos, o que é muito menos que numa floresta tradicional. Podem fornecer rapidamente vários benefícios, como melhorar a qualidade do ar, prevenir a erosão do solo e criar ‘habitats’ para a vida selvagem”, frisou Manuela Madonia, da Forest Impact.

O método, criado pelo botânico e ecologista japonês Akira Miyawaki na década de 1970, baseia-se no desenvolvimento natural das florestas e utiliza apenas espécies autóctones.

As florestas Miyakawi são plantadas com três mudas por metro quadrado, imitando a natureza, com uma grande variedade de espécies nativas, desde as camadas herbáceas e arbustivas até árvores.

“À medida que as plantas crescem, preenchem todo o volume de espaço acima do terreno e criam uma floresta densa, com 30 vezes mais superfície foliar que as florestas tradicionais geridas pelo homem”, asseguram os promotores.

Antes da plantação, é necessário preparar o solo, até um metro de profundidade, com estrume e outras matérias orgânicas, como casquilhas de pós torrefação de café, depois coberto com palha.

Em meio urbano, estas florestas podem “reduzir as temperaturas locais, melhorar a qualidade do ar, capturar carbono e melhorar a qualidade de vida dos moradores, além de criar um oásis natural para insetos e polinizadores, aves e mamíferos muito pequenos”, explicam os organizadores.

“As florestas Miyawaki contribuem para a sustentabilidade ambiental, mas também promovem um forte sentido de comunidade”, salientou Manuela Madonia, considerando que a reunião de vizinhos para “plantar e cultivar estas miniflorestas cria um compromisso partilhado com o ambiente e um vínculo que se estende além das árvores”.

A Forest Impact é uma organização portuguesa que tem como missão plantar florestas Miyawaki em ambientes urbanos e rurais, fundada em 2021 por profissionais formados pelo líder do movimento Florestas Miyawaki, Shubhendu Sharma.

Esta ‘startup’ da rede Casa do Impacto foi escolhida pelos municípios de Évora e Vila Viçosa para plantar, em parceria com o projeto Além Risco, um total de 700 metros quadrados de florestas Miyawaki.

O método também está a ser desenvolvido desde 2023 na freguesia de Algoz, concelho de Silves, numa plantação de 260 plantas de 18 espécies nativas do Algarve.

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