“Cidade do Zero” instala-se no CCB de 16 a 17 de setembro

Reparar bicicletas ou torradeiras, trocar roupa ou plantas, ou fazer estojos de tecidos velhos é possível no fim de semana em Lisboa na “Cidade do Zero”, uma amostra do que serão as cidades no futuro.

Um dia, diz a organizadora da iniciativa, as cidades serão assim: ecológicas, inclusivas, democráticas, sustentáveis e promovendo a economia circular. E quem for no fim de semana ao Centro Cultural de Belém (CCB) vai perceber que as mudanças não são difíceis, afiança.

“Saímos da ‘Cidade do Zero’ a querer fazer diferente” e com iniciativas assim, “pouco a pouco, conseguimos ir mudando o futuro”, disse à agência Lusa a organizadora do projeto de sustentabilidade, Catarina Barreiros, criadora de conteúdos relacionados com a sustentabilidade e fundadora do projeto “Do Zero”, uma loja ‘online’ com preocupações ambientais, da compensação de emissões à venda a granel, da preferência pela produção nacional ao uso de embalagens reutilizadas.

Catarina Barreiros organizou no ano passado a primeira “Cidade do Zero”, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, para demonstrar aos cerca de dez mil visitantes como será viver numa cidade sustentável e inclusiva.

Este ano o evento mudou-se para o CCB, mas o objetivo mantém-se: através de ‘workshops’, palestras e debates, oficinas, mercados, lojas e restauração, mostrar como deve ser uma cidade preocupada com os valores ambientais.

A “cidade” ocupa 3 500 metros quadrados, bem mais do que no ano passado, porque a edição deste ano terá mais marcas, passando de 70 para 120, terá mais palestras e ‘workshops’ (de 50 para 100) e terá salas maiores, tendo ainda assim sessões já esgotadas, referiu a responsável.

Numa “cidade” sustentável, reciclável e preparada para a chuva, Catarina Barreiros garante que não vão faltar coisas para fazer e frisa que a entrada é gratuita, como o são muitos dos serviços disponíveis, como cursos em áreas como a agricultura, alimentação, vestuário ou reparações de pequenos eletrodomésticos.

A responsável destacou as palestras com especialistas e a rubrica “A falar é que a gente se entende”, uma novidade que pretende gerar discussão a partir de frases polémicas.

E explica como se pode passar um dia na cidade: começar no Bairro das Finanças Sustentáveis a assistir a uma palestra sobre orçamento familiar ou aconselhar-se sobre energia renovável, depois deixar uma trotinete a reparar, trocar uma bicicleta por outra maior e aprender a fazer uma pequena horta de permacultura, no mesmo local onde se subscreve um cabaz de alimentos que será entregue semanalmente em casa.

Na zona das reparações, o visitante é convidado a reparar ele próprio um secador de cabelo avariado, pode trocar uma planta que não quer por outra, trocar livros ou comer na zona da restauração sustentável (todos os recipientes são recicláveis).

“As pessoas não têm de gastar dinheiro para usufruir, mas também há espaço para comprar de marcas portuguesas”, disse Catarina Barreiros, acrescentando que na cidade se pode também reparar, reciclar ou trocar peças de roupa, entregar ou vender manuais escolares.

Além dos mercados de trocas e de vendas em segunda mão, e das oficinas de reparação, pode aprender-se a cozinhar, a reaproveitar mobiliário antigo, a conhecer as plantas, a fazer compostagem, a fazer tingimento com plantas.

Tudo, nas palavras da organizadora, para mostrar que há esperança, que é possível mudar para um mundo mais sustentável e circular e com menor impacto ambiental.

A organização diz que na “Cidade do Zero” tudo se transforma e convida as pessoas a levar, para reciclar ou reutilizar, roupa de ganga, pequenos eletrodomésticos, pilhas, óleo alimentar usado, lâmpadas, cd e dvd, ou mesmo panelas, tachos e talheres, entre outros artigos, de embalagens de detergentes a bijutarias, de roupões velhos a calçado.

E porque “nada se perde”, a produção da “Cidade do Zero” tem um impacto ambiental “praticamente nulo”, usando apenas materiais já produzidos e apostando em materiais nacionais, renováveis e reciclados.

Porque tudo o que vai acontecer no fim de semana tem o mesmo objetivo: “Somos muitos a querer lutar por um mundo melhor. E queremos trazer essa esperança de que é possível e que já está a acontecer”.

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