Abrir a torneira

  • 30 dezembro 2012, domingo
  • Água

Sendo este número dedicado à água, tive de decidir se deveria abordá-la como recurso natural, do ponto de vista da qualidade, da sua gestão eficiente, da valorização do seu potencial económico, das implicações que as alterações climáticas poderão provocar em termos da disponibilidade e da sua qualidade…

Ensinar a abrir e a fechar a torneira...

Há tempos vi um documentário sobre ajuda internacional em São Tomé e Príncipe. O projeto em causa levou pela primeira vez água canalizada a uma aldeia que passou a ter uma fonte. Nos primeiros dias, os técnicos estiveram presentes para ensinar a população a abrir e a fechar a torneira. E o gesto – para nós automático – mostrou-se complexo para muitas daquelas pessoas. Afinal, o que é preciso fazer para que a água corra, e continue a correr, quando se abre uma torneira? De certa forma, este documentário inspirou-me para as escolhas que fiz para este número da Indústria e Ambiente, que muito provavelmente refletem também os aspetos que são mais próximos da minha vivência profissional.  

Em Portugal abrir uma torneira é um gesto quase inconsciente, e ninguém espera que ao abri-la não flua água de qualidade. O texto de Ana Marcão reflete precisamente sobre o grau de maturidade do setor no nosso país, sobre o grau de confiança que gera junto das populações mas, também, sobre os procedimentos a adotar perante uma eventual crise no abastecimento de água.

A EPAL é a maior empresa do setor do abastecimento de água em Portugal e tem uma experiência acumulada que me pareceu oportuno fazer partilhar. Por isso, entrevistámos José Sardinha, o presidente do Conselho de Administração desta empresa.

Pensar em água – como bem escasso que é – obriga-nos quase de imediato a equacionar a sua utilização eficiente e reutilização. O artigo de Paula Pereira é precisamente sobre estes temas e sobre o seu enquadramento nos Planos de Gestão de Recursos Hídricos no nosso país. A viabilidade e otimização da reutilização da água implica o desenvolvimento de sistemas económicos e energeticamente robustos e a criação de equipamentos e software inovadores. Bernardo Taneco e Pedro Póvoa abordam estes tópicos nos seus artigos, partindo de exemplos concretos, relatando a bem sucedida internacionalização de uma empresa e o reconhecimento internacional da mais-valia científica e técnica dos profissionais portugueses do setor.

Finalmente, João Oliveira Miguel aborda um assunto inquietante e que obriga a resposta urgente: os efluentes agropecuários e a premente revisão da estratégia nacional já delineada, e já desatualizada face às metas estabelecidas. Atualmente, os efluentes agropecuários em Portugal, em termos de potencial de poluição representam uma população equivalente superior à da própria população nacional, mas representam igualmente um setor crítico em termos económicos, sociais e ambientais, nomeadamente do seu impacte em termos da qualidade das massas de água.

Leonor Amaral

Diretora da Indústria e Ambiente / Professora na FCT-UNL

Se quiser colocar alguma questão, envie-me um email para lmma@fct.unl.pt

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